Literatura do mundo, os anos, espinhas e rugas.

livrosCarol procurava em seu diário alguma memória que a alimentasse, algo que a fizesse sentir orgulho da existência. Página por página com a calma de um monge e o desespero de um cachorro faminto, devorava as palavras como um leão, visualizava o passado como se estivesse no cinema assistindo um filme de ação. Absolutamente nada, nada fazia sentido naquelas linhas de um passado.

Era tudo apenas palavras e borrões sem sentido, seu vazio era imenso e impossível de ser preenchida. Não poderia se quer dizer que seria como um serial killer porque até esses tinham impulsos vorazes, ela estava lá sozinha e resumida a nada, sem importância nenhuma para ela mesma. Sem significado algum, ela e sua coleção de diários velhos e uma imensidão de papéis, com memórias sem que não faziam sentindo nenhum agora.

Em uma de suas memórias lembrou-se de quando tinha oito anos e brigou com a amiga na escola pois, tinha “certeza” que a mesmas roubara lhe uma caneta preta, razão de fúria, embora a amiga negara tal atrocidade e afirmara que a caneta era patrimônio seu, e que tinha sido comprada pela mãe para complementar o material escolar.

Mas, Carol nunca acreditou na menina, afinal sabia que sua caneta preta era sua, mesmo a fabrica produzindo 48921165145646787465313 ela conhecia suas coisas de longe e então decidiu que não falaria nunca mais com essa “AMIGA”.Ficou impressionada com tal memória e não entendia porque uma caneta teria lhe afetado tanto na infância e por uma coincidência essa “ladra” recentemente lhe seguira no Instagram e qual não foi a surpresa ao lembrar que a ladra, agora certamente estaria mais feliz que ela, como poderia uma menina que roubara uma caneta preta da amiguinha no colégio ser feliz?

Repentinamente, um estrondo! É água, água entrando por toda a casa.

O telhado ruiu. Carol tão preocupada em encontrar uma razão para seu infortúnio, inquietude, manias, ansiedade e sua vida medíocre havia ignorado um problema já bem antigo da casa,  o bendito telhado que estava velho e rachado. E finalmente, com a tempestade que estava acontecendo mediante o surto da menina, o telhado  rachara, a água tomara conta, destruindo os móveis e as lembranças nos diários.

Agora nem lembranças, nem infância e nem nada. Apenas dívidas, compras por fazer, desespero para consertar toda aquela bagunça. Já havia até mesmo esquecido da lembrança da ladra, tudo que importava era a merda do telhado.

Como deixou isso acontecer? Por que era tão inútil e sua pior inimiga?

O telhado despencou todo de vez,no entanto ela estava intacta ,ao menos fisicamente.

Sorte? – Talvez.

Deixou de sentir todo aquele tédio, afinal de contas à vida em sua cabeça começou a sentir alguma emoção,  estava ali viva e na merda. Na merda de sua própria cabeça, percebeu que não havia problemas. E sentir prazer em saber que era cativa de si mesma. Não alimentava-se mais do passado, tivera a oportunidade de ver dores no presente.

Escrevi esse “conto” faz tanto tempo, dotado de muitas falhas mas, essa personagem  e sua consciência me dão um certo tipo de fascínio. A literatura é algo que nos permite conhecer outras pessoas, costumes, formas de pensamentos e viagens.

E por conseguinte, a nós mesmos. Carol me dá espaço para rever uma parte obscura minha, que se prende a conceitos, rotinas e passado e evita enxergas o que realmente é importante. Ler esse conto me dá espaço para ver uma parte minha que temo, mas que busco corrigir sempre que posso. Além disso,  queria fazer um contraponto entre os clássicos e os contemporâneos e como tantas vezes paramos no tempo lendo os clássicos não que isso não seja importante, mas, há novas ideias, novas visões e também as mesmas repetidas em livros que estão ai, perdidos e silenciosos no tempo. Mesmo de blog novo não estou com paciência em construir um texto denso e complexo com bons argumentos, mas prometo fazer em breve.

Embora deixo o seguinte adendo:

“Os clássicos necessitam ser lidos, necessitam ser amados, mas, os contemporâneos esses tem que ser sentidos e pensados. Perdemos tanta evolução, porque livros não foram lidos ou tiveram sua importância na época certa.”

Talvez você fica olhando diários velhos ao invés de consertar o teto em cima da sua cabeça. Cuidado, pode ser que o telhado desabe e te esmague nem todo mundo tem a sorte de Carol.

 

 

 

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