Insegurança, espinafre e estamos congelados no tempo.

Tudo parece não fazer sentido algum depois faz tanto e novamente volta a não fazer. Lembro-me do primeiro poema que escrevi com 09 anos. Ninguém acredita que escrevi com 09 anos, porque acham que as crianças não são capazes de observar, que não são capazes de sentir ou que não são tão profundas como um adulto pode ser e/ou deve ser.

Acontece que as crianças conseguem ser mais profundas e intensas que qualquer adulto só que elas têm uma tendência a manter os sentimentos positivos e apenas enxergar as soluções, até por isso sinceramente eu prefiro meus poemas escritos durante a infância, à rima era um tanto precária embora os simbolismos do texto e a densidade dos sentimentos distribuídos fossem muito mais intensos. Aqui então, logo meu primeiro poema.

 
Sol e Aurora



Se um dia eu te ver por aí

Me proíba de ser eu apenas,

me proíba de querer ter

me proíba de sonhar
tenho um amor insólito

E você me faz um vazio

Rio, água e silêncio

e mais intenso do que antes

e mais intenso do que agora

E nossas pernas já se cruzaram,

Assim como Sol e Aurora.

Eu escutava sempre minha mãe dizer que: “ O mundo estava insólito.”, então na minha análise essa palavra era perfeita para o meu poema dessa forma, substitui a palavra vazio por insólito e isso mudou totalmente a crença das pessoas sobre a minha autoria.

Escrevi esse poema porque sempre gostei muito de observar o por do sol, e daí assistindo o “A bela Adormecida” descobri que o nome Aurora era o nome de “um fenômeno colorido no céu” que acontecia ao norte do planeta Terra e daí somei isso mais vários sentimentos da época em relação a minha mãe e outras coisas que um dia conto por aqui. E voltando ao que estava contextualizando antes, hoje em dia já sei lidar com esse tipo de comportamento “julgador negativo” quando escrevi o poema não, porém naquela época não tinha insegurança a qual eu já falei na primeira publicação desse blog.

Quando você é criança e produz suas obras, você quer mostrar para todo mundo, sem medo de absurdamente nada e verdade seja dita, quando alguém se atreve a falar mal da sua obra você se sente uma espécie de marinheiro Popoye no efeito espinafre. Pelo menos, no que diz respeito a mim. Nunca durante a infância aceitei critica negativa, eu queria que todo mundo gostasse e quando a pessoa não gostava simplesmente eu tentava “obriga-la” prometia coisas como fazer um poema sobre aquela pessoa ou sobre a mãe daquela pessoa e logo minha ideia genial resultava no esperado, afinal de contas todo mundo quer ser eterno e que forma melhor de ser, se não um poema?

Naquela época eu sempre associava de fato a minha força ao marinheiro Popoye, as vezes ainda faço isso embora tente evitar porque esse desenho é muito machista, pra mim todos os outros “super-heróis” eram surreais agora o Popoye fazia total sentido comia o espinafre e ficava forte e derrotava o Brutus que nasceu para querer perturbar a vida dele. Logo eu fazia do meu espinafre a barganha, se meu poema estivesse ruim na sua concepção eu lhe eternizaria e todo mundo seria feliz para sempre até minha mãe fazer um novo cardápio.
O jantar

A verdade é que não lembro se foi em uma janta só foi. O pesadelo mais real e mais destruir de todos. O dia que comi o ‘bendito’ do espinafre e descobri o quanto ele é horrível, hoje como em nome da dieta, ainda assim nada mais amargo e mais gosto de coisa ruim que espinafre.

Foi uma coisa boba, mas, me fez evoluir tanto. Percebi que talvez não fosse muito adequado fazer “barganhas” de poemas e que fazendo isso embora eu também pudesse treinar talvez não tivesse tanta alma.

Acho que a insegurança nasceu ali naquele momento, mas, não foi algo ruim. Mesmo assim, consegui controlar -lá  depois, que tive um problemão mas, daí não importa hoje em dia ela ta na medida certa.

A única coisa que ainda me deixa fora de controle é minha “teoria que estamos congelados no tempo” e algo bem similar a lei do eterno retorno de Nietzsche a diferença é que é mais maluca e sem um embasamento teórico físico. Vou ficar compartilhando ela, hoje, ela fica para outro dia. Porque esse texto ficou maior do que eu pensava escrever, com o falei da minha infância e insegurança na escrita, irei compartilhar outro poema que escrevi na mesma idade.

Um dia
Esperei-te tanto tempo

E as horas se tornaram ocas

A tristeza que era tão pouca

Adquiriu proporção
Que os segundos que me procura

Não resultou em nenhuma cura

Minhas lágrimas?!Encharcarão as ruas

O abandono passou o dia também
Já não mergulho nas horas

Já não espero a demora

Daquele que nunca vem
Orgulho-me de tantos desencontros

Não me satisfaço em esperar

Aquele que me ignora

Não merece me ouvir chorar

E mesmo que agora não sofra

E mesmo que agora não me importe

Não aceito me sentir

Deixada a própria sorte.
Só perdi um dia de desabafo

Perdi tempo, mas aprendi.

Evito mostrar descompasso.

Um dia você é quem precisará.

Oh! Sofrência? => CORDEL

Sofro neste mundo que nada faz sentido. Então canso, porque sofrer é bem sofrido! Chega de sofrer, chega de lágrimas e dessa depressão de alguma forma patética atraente. Tem tanta coisa para se fazer e eu fico choramigando, vou definitivamente para a psicóloga —oppsss—– já faço terapia há séculos!  – Até digo que terapia ajuda e muito mas, demora quando você não colabora muito. Bom, neste caso só me resta fazer a melhor coisa do mundo, escrever meus pensamentos, dançar, correr e outras coisas mais que deixam meu cérebro feliz  e refletir sinceramente e de forma honesta:

  • Causa
  • Motivo
  • Razão
  • Circunstância

    Como já ensinava o quase Freud – Grande professor Girafales. Após descobrir, falar pra mim mesma sem me dignificar a análise ou a razão que me faça encasquetar e mergulhar no deep deprê de vez : “Cara, que merda eu to viva e isso que importa ” daí leio um poema da Ruth Rocha, sempre verdadeiro em muito bem humorado, e não melhora e não alivia só me toco que a vida tem autos e baixos e que toda doença, todo sofrimento tem cura e se não tiver cura, bom resta só morrer.

    Morrer?! – Sim! … no entanto morrer, não parece atrativo, não parece legal, na verdade pela sociedade é atual é considerado bem “No cool” então, morrer está fora das cogitações exceto quando você está tipo quase uma múmia.
    Então assim, não tem uma receita muito boa para essas coisas, na verdade não tem receita, escrever me ajuda totalmente mas, as vezes só olhar pro meu cachorro e as vezes só ficar pasmada olhando pro nada e refletindo e as vezes nada ajuda mas, entendo que é só um momento.  Em todo caso, há um remédio secreto e infalível para a sofrência e esse se chama literatura de Cordel. Sinceramente, mesmo quando o texto não é ‘bonito’, romântico ou positivo mesmo, uma PUTA crítica social consegui transmitir em cada rima um alto astral de gente cheia da raiz que não se atinge por nenhum mal. ===> hahahhahaha

“Deixo a dica desse escritor

que até então não conhecia

provavelmente ele  vai pro céu

com Deus e Ave Maria

Porque literatura de cordel

Só escreve quem tem sabedoria”

AMERICANALHANDO

 

Cordelista: Allan Salles

A cultura americana

Há muito tempo invadiu
Com um monte de leseiras
Pelo mundo e no Brasil
Já tô ficando arretado
Com tanto lixo enlatado
Porra! Puta que pariu!

E tem um tal de Piu Piu
Frajola um gato safado
Que vive a fim de comer
Um passarinho viado
“Acho que vi um gatinho”
Assim fala o passarinho
Amarelo e afrescalhado

Tem o Hulk esverdeado
Que custou muitos milhões
Ele grita feito louco
Berrando a plenos pulmões
Grita tanto quase engasga
Pois a calça nunca rasga
Fica apertando os culhões

E tem heróis bem machões
Menos o homem morcego
Amigado com um boyzinho
Com Robin tem aconchego
Mas só tem herói branquelo
Não tem herói amarelo
Sem falar que não tem nêgo

Tio Sam não dá sossego
Na cultural invasão
Na canção e no cinema
Polui a televisão
Homem Aranha, rock e clip
Free Willy, Zorro e Flip
E Van Dame o maricão

Stalone é um bundão
“Xuazineguer” outra bosta
No mundo tem tanto besta
Que aprecia e que gosta
É bala e tanta porrada
E o conteúdo é de nada
É nisso que se aposta

Alienar é a proposta
Empurrar ideologia
Fazer de bom o mocinho
Que é bandido da CIA
Que está ao lado do “bem”
A imagem que convém
Mostrada com simpatia

O Batman é uma “tia”
Super Man um tabacudo
Jerry Lewis um retardado
E Popeye é um chifrudo
Leva gaia da magrela
Vive brigando por ela
Com brutamontes barbudo

E como atrapalha o estudo
Ocupando a meninada
Viciada em TV
Vai ficando alienada
Consumindo porcaria
E no lixo se vicia
Vai ficando abestalhada

E por falar na negada
Michael Jackson o mané
Ficou branco feito talco
E com cara de “mulé”
É chegado à sodomia
Praticou pedofilia
Só não crê quem não quiser

Até quando se puder
Empurram o lixo insano
Mas existe quem combate
Como meu mestre Ariano
Da cultura brasileira
Vai levantando a bandeira
Contra o lixo americano

E piora a cada ano
A invasão cultural
No cinema até na dança
Na expressão musical
Abastardam o português
Com tanta coisa em inglês
Na prosódia nacional

E o babaca acha legal
“Milk Shake” de cultura
No mundo globalizado
É só essa a impostura
Tudo americanalhado
O resto todo esmagado
Dá nojo esta ditadura

Meu coração não atura
Resiste qual Dom Quixote
À imposição do gigante
Em nós querendo dar bote
Sou mais Monteiro Lobato
Mais que Disney um literato
Que nos legou grande dote

E aqui termino sem mote
Este versinho febril
Falando das fuleiragens
De americano imbecil
Viva minha gente brejeira
E a Cultura Brasileira
Sou muito mais meu Brasil!

 

Fonte: http://allancordelista.blogspot.com.br/2008/02/americanalhando.html