Alice

Ás vezes é simplesmente assustador como deixamos nosso sentimentos tomar conta de tudo. Não é perturbador achar que somos o único surtando em uma variação infinita de sentimentos? Também e assustador acharmos que não somos os únicos.

Que dilema que é ser ser humano. Estamos tão cheio e tão vazios. Somos o tudo, o nada e uma mistura de ambos os sentimentos.

 “Alice : Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?

Gato : Isso depende muito de para onde queres ir.”

Charles Lutwidge Dodgson, ou melhor, Lewis Caroll entendia perfeitamente o dilema e os dramas da vida humana por essas, e outras indagações de sua vida Alice no país das maravilhas é limitado por muitos daqueles que não podem mergulhar nas suas simples frases cheias de densidade e paixão ao mundo infantil. Porém, aqueles com um olhar bem apurado para o mundo, um instinto ou simplesmente uma paixão louca pela literatura pode compreender que este livro caminha muito longe de ser um livro para crianças, claro que pode ser lidos por elas, mas um adulto consegue ir além.

Embora muitos questionem a índole do autor, e que este poderia ser um pedófilo esse texto não abordará o tema. Particularmente não descarto a possibilidade mediante alguns fatos, porém vamos tratar da obra e não do homem por trás dela.

Com frases de efeito e reflexão profundo como “Nada se é conquistado com lágrimas.”, vemos um mundo de uma garotinha em total desespero, indo além o nosso mundo, as nossas dúvidas mediante a escolha. Logo no primeiro capítulo encontramos a menção ao tédio e como esse parece horripilante mas, quando tentamos caminhar fora dele tudo pode se tornar mais assustador ainda:

Alice estava começando a ficar muito cansada de estar sentada ao lado de sua irmã e não ter nada para fazer: uma vez ou duas ela dava uma olhadinha no livro que a irmã lia, mas não havia figuras ou diálogos nele e “para que serve um livro”, pensou Alice, “sem figuras nem diálogos?”

Então, ela pensava consigo mesma (tão bem quanto era possível naquele dia quente que a deixava sonolenta e estúpida) se o prazer de fazer um colar de margaridas era mais forte do que o esforço de ter de levantar e colher as margaridas, quando subitamente um Coelho Branco com olhos cor-de-rosa passou correndo perto dela.

Não havia nada de muito especial nisso, também Alice não achou muito fora do normal ouvir o Coelho dizer para si mesmo “Oh puxa! Oh puxa! Eu devo estar muito atrasado!”

E logo em seguida a seguir aquilo que esperava:

““Vamos, não há razão para chorar assim”, disse Alice. “Eu lhe aconselho deixar isso pra lá neste minuto.” Normalmente ela se dava bons conselhos (embora raramente os seguisse) e às vezes repreendia-se tão severamente que chegava a ficar com lágrimas nos olhos, e uma vez ainda lembrava-se de ter tentado boxear suas próprias orelhas por ter trapaceado consigo mesma em um jogo de críquete que jogava com ela mesma, pois essa curiosa criança gostava de fingir ser duas pessoas.”

A própria Alice tentava reconforta-se já que enxergava com clareza que tinha feito uma escolha equivocada, mas não queria aceitar o peso da sua escolha, possuía uma curiosidade alarmante de saber o que viria adiante, o que poderia ser tão incrível, o que a vida a reservava, melhor ou pior alguma emoção, talvez algo que ela se arrependesse?

O dilema da vida humana, e as lutas contra o nosso lado animal.

De todos os livros que eu já li, Alice de longe é meu favorito, não é porque ele tem uma mensagem boa ou ruim e sim porque ele tem um monte de perguntas que a toda leitura podem ser respondidas de forma distinta e Alice sempre pode ser uma nova Alice, imaginada de uma forma diferente. E como se ao ler o livro e imaginar o país das maravilhas fosse uma reconstrução de nós mesmos no nosso “país das maravilhas” que muda de forma constante.

A complexidade do livro não é para amadores, sua sutileza e inocência também não.

 

 

 

Insegurança, espinafre e estamos congelados no tempo.

Tudo parece não fazer sentido algum depois faz tanto e novamente volta a não fazer. Lembro-me do primeiro poema que escrevi com 09 anos. Ninguém acredita que escrevi com 09 anos, porque acham que as crianças não são capazes de observar, que não são capazes de sentir ou que não são tão profundas como um adulto pode ser e/ou deve ser.

Acontece que as crianças conseguem ser mais profundas e intensas que qualquer adulto só que elas têm uma tendência a manter os sentimentos positivos e apenas enxergar as soluções, até por isso sinceramente eu prefiro meus poemas escritos durante a infância, à rima era um tanto precária embora os simbolismos do texto e a densidade dos sentimentos distribuídos fossem muito mais intensos. Aqui então, logo meu primeiro poema.

 
Sol e Aurora



Se um dia eu te ver por aí

Me proíba de ser eu apenas,

me proíba de querer ter

me proíba de sonhar
tenho um amor insólito

E você me faz um vazio

Rio, água e silêncio

e mais intenso do que antes

e mais intenso do que agora

E nossas pernas já se cruzaram,

Assim como Sol e Aurora.

Eu escutava sempre minha mãe dizer que: “ O mundo estava insólito.”, então na minha análise essa palavra era perfeita para o meu poema dessa forma, substitui a palavra vazio por insólito e isso mudou totalmente a crença das pessoas sobre a minha autoria.

Escrevi esse poema porque sempre gostei muito de observar o por do sol, e daí assistindo o “A bela Adormecida” descobri que o nome Aurora era o nome de “um fenômeno colorido no céu” que acontecia ao norte do planeta Terra e daí somei isso mais vários sentimentos da época em relação a minha mãe e outras coisas que um dia conto por aqui. E voltando ao que estava contextualizando antes, hoje em dia já sei lidar com esse tipo de comportamento “julgador negativo” quando escrevi o poema não, porém naquela época não tinha insegurança a qual eu já falei na primeira publicação desse blog.

Quando você é criança e produz suas obras, você quer mostrar para todo mundo, sem medo de absurdamente nada e verdade seja dita, quando alguém se atreve a falar mal da sua obra você se sente uma espécie de marinheiro Popoye no efeito espinafre. Pelo menos, no que diz respeito a mim. Nunca durante a infância aceitei critica negativa, eu queria que todo mundo gostasse e quando a pessoa não gostava simplesmente eu tentava “obriga-la” prometia coisas como fazer um poema sobre aquela pessoa ou sobre a mãe daquela pessoa e logo minha ideia genial resultava no esperado, afinal de contas todo mundo quer ser eterno e que forma melhor de ser, se não um poema?

Naquela época eu sempre associava de fato a minha força ao marinheiro Popoye, as vezes ainda faço isso embora tente evitar porque esse desenho é muito machista, pra mim todos os outros “super-heróis” eram surreais agora o Popoye fazia total sentido comia o espinafre e ficava forte e derrotava o Brutus que nasceu para querer perturbar a vida dele. Logo eu fazia do meu espinafre a barganha, se meu poema estivesse ruim na sua concepção eu lhe eternizaria e todo mundo seria feliz para sempre até minha mãe fazer um novo cardápio.
O jantar

A verdade é que não lembro se foi em uma janta só foi. O pesadelo mais real e mais destruir de todos. O dia que comi o ‘bendito’ do espinafre e descobri o quanto ele é horrível, hoje como em nome da dieta, ainda assim nada mais amargo e mais gosto de coisa ruim que espinafre.

Foi uma coisa boba, mas, me fez evoluir tanto. Percebi que talvez não fosse muito adequado fazer “barganhas” de poemas e que fazendo isso embora eu também pudesse treinar talvez não tivesse tanta alma.

Acho que a insegurança nasceu ali naquele momento, mas, não foi algo ruim. Mesmo assim, consegui controlar -lá  depois, que tive um problemão mas, daí não importa hoje em dia ela ta na medida certa.

A única coisa que ainda me deixa fora de controle é minha “teoria que estamos congelados no tempo” e algo bem similar a lei do eterno retorno de Nietzsche a diferença é que é mais maluca e sem um embasamento teórico físico. Vou ficar compartilhando ela, hoje, ela fica para outro dia. Porque esse texto ficou maior do que eu pensava escrever, com o falei da minha infância e insegurança na escrita, irei compartilhar outro poema que escrevi na mesma idade.

Um dia
Esperei-te tanto tempo

E as horas se tornaram ocas

A tristeza que era tão pouca

Adquiriu proporção
Que os segundos que me procura

Não resultou em nenhuma cura

Minhas lágrimas?!Encharcarão as ruas

O abandono passou o dia também
Já não mergulho nas horas

Já não espero a demora

Daquele que nunca vem
Orgulho-me de tantos desencontros

Não me satisfaço em esperar

Aquele que me ignora

Não merece me ouvir chorar

E mesmo que agora não sofra

E mesmo que agora não me importe

Não aceito me sentir

Deixada a própria sorte.
Só perdi um dia de desabafo

Perdi tempo, mas aprendi.

Evito mostrar descompasso.

Um dia você é quem precisará.

Oh! Sofrência? => CORDEL

Sofro neste mundo que nada faz sentido. Então canso, porque sofrer é bem sofrido! Chega de sofrer, chega de lágrimas e dessa depressão de alguma forma patética atraente. Tem tanta coisa para se fazer e eu fico choramigando, vou definitivamente para a psicóloga —oppsss—– já faço terapia há séculos!  – Até digo que terapia ajuda e muito mas, demora quando você não colabora muito. Bom, neste caso só me resta fazer a melhor coisa do mundo, escrever meus pensamentos, dançar, correr e outras coisas mais que deixam meu cérebro feliz  e refletir sinceramente e de forma honesta:

  • Causa
  • Motivo
  • Razão
  • Circunstância

    Como já ensinava o quase Freud – Grande professor Girafales. Após descobrir, falar pra mim mesma sem me dignificar a análise ou a razão que me faça encasquetar e mergulhar no deep deprê de vez : “Cara, que merda eu to viva e isso que importa ” daí leio um poema da Ruth Rocha, sempre verdadeiro em muito bem humorado, e não melhora e não alivia só me toco que a vida tem autos e baixos e que toda doença, todo sofrimento tem cura e se não tiver cura, bom resta só morrer.

    Morrer?! – Sim! … no entanto morrer, não parece atrativo, não parece legal, na verdade pela sociedade é atual é considerado bem “No cool” então, morrer está fora das cogitações exceto quando você está tipo quase uma múmia.
    Então assim, não tem uma receita muito boa para essas coisas, na verdade não tem receita, escrever me ajuda totalmente mas, as vezes só olhar pro meu cachorro e as vezes só ficar pasmada olhando pro nada e refletindo e as vezes nada ajuda mas, entendo que é só um momento.  Em todo caso, há um remédio secreto e infalível para a sofrência e esse se chama literatura de Cordel. Sinceramente, mesmo quando o texto não é ‘bonito’, romântico ou positivo mesmo, uma PUTA crítica social consegui transmitir em cada rima um alto astral de gente cheia da raiz que não se atinge por nenhum mal. ===> hahahhahaha

“Deixo a dica desse escritor

que até então não conhecia

provavelmente ele  vai pro céu

com Deus e Ave Maria

Porque literatura de cordel

Só escreve quem tem sabedoria”

AMERICANALHANDO

 

Cordelista: Allan Salles

A cultura americana

Há muito tempo invadiu
Com um monte de leseiras
Pelo mundo e no Brasil
Já tô ficando arretado
Com tanto lixo enlatado
Porra! Puta que pariu!

E tem um tal de Piu Piu
Frajola um gato safado
Que vive a fim de comer
Um passarinho viado
“Acho que vi um gatinho”
Assim fala o passarinho
Amarelo e afrescalhado

Tem o Hulk esverdeado
Que custou muitos milhões
Ele grita feito louco
Berrando a plenos pulmões
Grita tanto quase engasga
Pois a calça nunca rasga
Fica apertando os culhões

E tem heróis bem machões
Menos o homem morcego
Amigado com um boyzinho
Com Robin tem aconchego
Mas só tem herói branquelo
Não tem herói amarelo
Sem falar que não tem nêgo

Tio Sam não dá sossego
Na cultural invasão
Na canção e no cinema
Polui a televisão
Homem Aranha, rock e clip
Free Willy, Zorro e Flip
E Van Dame o maricão

Stalone é um bundão
“Xuazineguer” outra bosta
No mundo tem tanto besta
Que aprecia e que gosta
É bala e tanta porrada
E o conteúdo é de nada
É nisso que se aposta

Alienar é a proposta
Empurrar ideologia
Fazer de bom o mocinho
Que é bandido da CIA
Que está ao lado do “bem”
A imagem que convém
Mostrada com simpatia

O Batman é uma “tia”
Super Man um tabacudo
Jerry Lewis um retardado
E Popeye é um chifrudo
Leva gaia da magrela
Vive brigando por ela
Com brutamontes barbudo

E como atrapalha o estudo
Ocupando a meninada
Viciada em TV
Vai ficando alienada
Consumindo porcaria
E no lixo se vicia
Vai ficando abestalhada

E por falar na negada
Michael Jackson o mané
Ficou branco feito talco
E com cara de “mulé”
É chegado à sodomia
Praticou pedofilia
Só não crê quem não quiser

Até quando se puder
Empurram o lixo insano
Mas existe quem combate
Como meu mestre Ariano
Da cultura brasileira
Vai levantando a bandeira
Contra o lixo americano

E piora a cada ano
A invasão cultural
No cinema até na dança
Na expressão musical
Abastardam o português
Com tanta coisa em inglês
Na prosódia nacional

E o babaca acha legal
“Milk Shake” de cultura
No mundo globalizado
É só essa a impostura
Tudo americanalhado
O resto todo esmagado
Dá nojo esta ditadura

Meu coração não atura
Resiste qual Dom Quixote
À imposição do gigante
Em nós querendo dar bote
Sou mais Monteiro Lobato
Mais que Disney um literato
Que nos legou grande dote

E aqui termino sem mote
Este versinho febril
Falando das fuleiragens
De americano imbecil
Viva minha gente brejeira
E a Cultura Brasileira
Sou muito mais meu Brasil!

 

Fonte: http://allancordelista.blogspot.com.br/2008/02/americanalhando.html

Vida para escrever

E como Machado de Assis refletiu e eternizou:

“Pensamentos valem e vivem pela observação exata ou nova, pela reflexão aguda ou profunda; não menos querem a originalidade, a simplicidade e a graça do dizer”

Ter um blog foi sempre um sonho até mesmo quando nem existia blog eu já tinha um.

Diariamente escrevia em um caderninho que era da minha vó de anotar receitas, depois comecei a escrever em um diário que ganhei quando fiz sete anos e depois nunca mais parei de escrever . Tinha um blog que não “bombava” mas, que tinha um certo fluxo de leitores – ele foi banido, hackeado ou eu de forma incompetente não consigo entrar com meu próprio e-mail e senha ( embora estou certa de que foi hackeado).

A escrita sempre foi uma viagem para dentro de mim; o outro mundo mais desconhecido que poderia explorar. Eu mesma. Uma criatura tão misteriosa, que até hoje com tantas viagens dentro do meu “EU” sempre encontro uma coisa nova.  Às vezes, até penso encontrar o “EU” dos outros  mas, depois quando reflito vejo que não tem como achar os outros dentro da gente mesmo que seja tão divertido brincar de achar. Bom, só pelas doidices que escrevo já deu para diagnosticar a minha loucura e deduzir que só presto para ser escritora mesmo.

Em todo caso,  mesmo com toda essa liberdade e falta de timidez que escrevo no começo e até hoje quando vou ler um poema meu, tenho a sensação que estou transando no meio de uma praça pública e as pessoas me apedrejando. E incrível como a gente se sente mal depois de produzir algo, o medo do julgamento é desesperador…mais desesperador até que o próprio julgamento.  No meu caso, não tenho dificuldade em lhe dar com crítica negativa, alias é muito bom receber uma porque se vê, que aquela pessoa está lendo criou uma empatia pelo texto e pelo seu trabalho e está julgando de forma justa. Embora, que se essa pessoa for uma pessoa “hater” ou similares que a internet está cheia de gente querendo odiar…você tem que respirar fundo e fazer um levantamento se a observação daquele ser humano faz sentido.

Afinal de contas bom senso é tudo e tudo é o que a gente não tem.

No fim das contas só queria dizer “Bitches, I am back!” – mas, uma escritora na área lutando pela vida no mundo paralelo do editorial brasileiro. Thanksgod chegou a Amazon com esse treco de publicação por e-book, qual estou procrastinando em fazer mesmo gostando da ideia, tecnologia revolucionando e salvando o mundo.